Segunda-feira, Maio 18, 2009

Veja, sua máscara caiu


Acabou! Eu sabia desde o começo que sua fantasia de “boa samaritana” não duraria para todo o sempre. Afinal, já dizia minha avó: as máscaras sempre caem. E a sua acaba de cair.
Cheguei a achar que o tempo lhe estava sendo favorável demais, a demora foi grande. Mas logo percebi que ele anda aliado à sabedoria, e a cada dia você oferecia mais e mais corda para seu enforcamento final.
Com isso, seu escudo de argumentos já não é mais forte o suficiente para lhe proteger, de quem hoje você poderia chamar de “seus inimigos”.
E neste momento, em que você é a carniça rodeada por leões, sua única segurança é fechar os olhos para o que está ao seu redor. Mas não esqueça, teatros sempre tem um fim, seja qual for seu roteiro. Se não fores atacada por presas, serás atacada pela solidão e esquecimento. Agora escolha o final!
E.. Game Over, para você o jogo acaba por aqui!!

Próximo?



A.S.

Sábado, Maio 16, 2009

Herança [A conclusão]


Crescemos ouvindo nossos pais dizendo o que é certo e o que é errado, nos enchendo de lições de moral, orientando nossos passos e decisões muitas vezes não aceitas por eles. Pais se tornam nossos exemplos a serem seguidos. Muito provavelmente, nosso futuro será espelhado neles.

Criamos a idéia de que eles são o auge da perfeição. Pais não erram, não sentem medo de fantasmas e nem têm ilusões. Seus pés estão sempre pousados no chão. A realidade da vida difícil é a base de seus dias.

Entretanto, você idealiza esta ideia até o dia em que você acha em uma estante velha, lá no meio das coleções dos livros Vagalume, Machado de Assis e Barsas, o tesouro chamado “caderno usado por seus pais na época de faculdade”. Folheando aquelas velhas folhas, já amareladas e comidas pelas traças, você encontra, rabiscado no canto da página, um verso, um pequeno texto, um desenho, ou uma assinatura do tipo: Pedro 1980.

Incrível! Parece que você vê diante de seus olhos seu próprio caderno do tempo de colégio. Aqueles rabiscos todos lembram o seu passa-tempo nas aulas chatas, nas não chatas, ou qualquer que sejam elas.

Esses cadernos não podem ser de seu pai ou de sua mãe. Não faz sentido. Eles vivem dizendo que devemos ir para aula exclusivamente para prestar atenção nos professores, e dispensa-se qualquer outra coisa, inclusive rabicar no caderno.

Mas o mais impressionante é o conteúdo dos textos, dos versos e frases. Palavras de amor, de sentimentos ingênuos e infantis. É quase como encontrar o nome de um guri e de uma guria, separados por um “e”, dentro de um coração. Logo sua mãe, que sempre passou aquela postura de durona, escrevendo sobre amar.

É nessas horas em que percebemos que seres humanos, definitivamente, são todos iguais. Seja ele o Rei da Inglaterra, o Presidente, o Papa, ou seus pais. No auge da sua juventude, todos foram tolos, tropeçaram e erraram, assim como você.
A.S.

Terça-feira, Maio 12, 2009

Herança [Capítulo 3°]


Realidade tardia

Antes de amar eu dizia
Para cortar na raiz
Esta constante agonia
Preciso amar algum dia
Amando, serei feliz
Amei... Desventura minha
O amor só magoas continha.

[...]Mas nunca houve o tempo em que o amar fosse o suficiente.


S.M.S. – Escrito em 1981 e não trouxesse desilusões

Segunda-feira, Maio 11, 2009

Herança [ 2° Capitulo]


O espião

Parou diante da porta e ficou a olhar para a rua. Olhava fixamente para as folgas existentes entre os paralelepípedos. Seus pensamentos estavam longe demais para perceber os carros que transitavam, isto é pena, pois se percebesse os carros lembraria que o seu estava diante da “casa suspeita”, com o motor ligado.

O barulho de uma chave sendo introduzida na fechadura o alertou de que a porta seria aberta. Entreviu uma mulher de estrutura média, com cabelos e olhos castanhos, que lhe cumprimentou com um falso sorriso de quem não estava sendo incomodada.Seus cabelos estavam despenteados, isto significava ou ela estava dormindo ou estava acompanhada.

No curto dialogo que tiveram ele percebeu que ela não era tão frágil quanto parecia. Logicamente nosso herói não conseguiu saber se a moça estava sozinha ou não. Se não fosse pelos dois carros na garagem estaria tudo perdido.

Anotou o número de placa e teve a ousadia de achar que estava se saindo um ótimo espião.

[...] E em que palavras ainda tinham seu valor [...]


S.M.S. – Escrito em 1981

Sexta-feira, Abril 24, 2009

Herança [ 1° Capítulo]

Todos nós sonhamos ter um dia um grande amor. Um amor legitimo, daqueles que nos leva a sonhar durante horas, mesmo acordados.

Você foi este grande amor. Eu nunca soube o que eu realmente gostava mais em você. Era um amor que não pedia nada em troca.

Eu só o queria te-lo.

Não para mim, aqui no meu lado. Eu queria te-lo para poder lembrar de você e saber que eu já tive algo do que me orgulhar.

Amar é bom
Mesmo que não tenha este amor correspondido, mas assim mesmo vale a pena. Saber que é capaz de um sentimento tão nobre, algo tão real.

Há um tempo, quando garotinhas de 20 anos ainda eram ingênuas.

S.M.S. – escrito em 1981

Domingo, Abril 12, 2009

A flor da idade


Estava sentada em um bar qualquer. Há muito perdera as contas de quantos cigarros havia acendido e quantas vezes fizera o garçom ir a sua mesa levar “mais uma”. Já estivera ali em outros tempos, porém em um contexto um tanto quanto diferente. Seu elegante vestido vermelho, acompanhado da bela maquiagem, fora substituído por uma roupa qualquer e pela cara limpa, com profundas olheiras. As conversas e risadas, vindas de suas ilustres companhias, davam lugar a cadeiras vazias, silêncio e solidão.

Naquela época, não imaginava que aquelas cenas de sua vida poderiam mudar. Só soube que nada é eterno, quando o tempo lhe mostrou seu poder de transformar vidas. Já não tinha para quem se exibir, nem motivos para passar o famoso batom arrochado. Não tinha mais com quem trocar palavras inúteis, mas agradáveis, e sabia muito bem que não voltaria para casa acompanhada.

Por um instante, olhou seu reflexo na porta de vidro. Sentira uma profunda angustia ao se deparar com o que o lindo rosto de porcelana tivera se transformado. Conseguia ver exatamente onde estava cada ruga de expressão, naquele rosto que entregava o quanto sua dona já estivera cansada.

E não havia tratamentos, cremes, ou qualquer meio de manipular os sinais dos anos, que mudaria aquela situação. Pois, por mais que as rugas exteriores estivessem escondidas, as interiores estariam mais do que vivas.

Com uma pontada de dor nas costas, levantou lentamente da cadeira de aço, hoje descascada e torta, pagou sua conta, deu seu último adeus ao velho garçom, e foi embora, esperar pela morte!
A.S.

Quinta-feira, Janeiro 29, 2009

Tão lamentável que sinto vontade de rir, rir, rir, rir, rir...


É engraçado. Sim, engraçado. Poderia ser lamentável, trágico, insuportável... Mas não, é engraçado. Pela reação normal de um ser humano, eu deveria estar aos prantos, fazendo greve de fome e querendo cortar meus pulsos com a primeira Gillette que visse pela frente (EMO). Faria da minha vida um grande palco de dramatização, onde eu seria o personagem principal. Porém, a vontade de rir é mais forte do que a vontade de chorar.

Rir? Rir do que? Se até algumas horas atrás essa história toda era o que mais lhe atormentava na vida, era o que te perseguia e não a permitia ser completamente feliz.

Rir da minha completa “otariedade”, que levei comigo por mais de um ano. Quando me lembro de tudo o que se passou, principalmente dos atos partidos de mim, sinto uma incontrolável vontade de rir. Eu costumava julgar as pessoas sem perceber que eu caia na mesma tolice. Não conseguia admitir que alguém se permitisse ao extremo rebaixamento, humilhação, e até um certo contentamento com “qualquer coisa”, entretanto admitia que EU passasse por isso.

Mas a parte mais engraçada disso tudo é saber que eu sempre estive ciente da verdade, mas precisei que ela se esfregasse diante dos meus olhos para enxergá-la. E hoje concordo plenamente com a tão clichê frase: O pior cego é o que recusa-se a enxergar.
E como eu recusei...

Mas tudo bem, é errando que se aprende, é rindo da própria cara que se é feliz.

Finalmente... FIM!! Com direito a muitas gargalhadas para fechar com chave de ouro.
Idiota